AS REGRAS DA ANSIEDADE (PARTE II): DESCONSTRUÍNDO-AS

 

Quando se inicia o tratamento para a ansiedade, em sua cabeça, só há espaço para as velhas regras, que tratam de perigo e segurança. No entanto, com a ajuda profissional necessária você agora sabe: chegou a hora de quebrá-las. As novas regras refletem uma mente diferente, mais sabia, permitindo que você desista de seu velho software, gravando um novo programa sobre o antigo. É uma parte diferente de sua cabeça, racional, acima e além de sua mente primitiva. Você estará mais afinado com o mundo de verdade e não com o mundo que você teme. Vamos conhecer as novas regras?

 

As novas regras vão lhe dizer algo assim: “As coisas são bastante seguras. Meus pensamentos, sentimentos e sensações são simplesmente minha imaginação e meu estado de alerta. Nada está acontecendo, exceto a presença de muitos ruídos e de muitos alarmes falsos. Consigo fazer as coisas mesmo quando estou ansioso. Na verdade, aprenderei mais e ficarei mais forte se fizer as coisas quando estiver ansioso”. Agora analisaremos as regras para a libertação da ansiedade e o modo como você pode usá-las.

 

Velha regra 1: Detecte o perigo;

Nova regra 1: Veja as coisas de maneira realista.

 

Quando você está em um estado de ansiedade, toma decisões sobre o que é perigoso automaticamente. Você sequer pensa se a situação é de fato perigosa. Simplesmente presume que é. Qualquer sinal de perigo, até mesmo um sinal insignificante, é conclusivo. Para tirar vantagem desse pensamento mecânico, você deve passar por um processo de avaliação de risco. Isso pode ser feito consciente, por exemplo, se você fizer a si mesmo as seguintes perguntas: “Estou usando as informações de que disponho ou só seu lado negativo?”; “Estou pensando com base nos fatos ou simplesmente em emoções?”; “A minha imaginação está fazendo uso do que tenho de melhor?”. O segredo aqui é se desligar do estado de pânico a tempo de fazer uma avaliação da situação, sendo notável o quanto um simples processo pode nos retirar de percepções distorcidas.

 

Velha regra 2: Transforme o perigo em catástrofe

Nova regra 2: Normalize as consequências

 

Antes de iniciar o tratamento, você pensaria que qualquer obstáculo poderia ser catastrófico: pegar uma gripe o mataria, que um ataque de pânico faria com que você morresse ou ficasse louco. Nada disso jamais se materializou, mas você continua a seguir a velha regra e a pensar que tudo pode acontecer. A fim de ver essas coisas de modo realista, você tende se distanciar de suas emoções e ansiedades por meio de simples perguntas:  “O que há de pior e qual a probabilidade disso acontecer?” e “Quais seriam os resultados ruins se esse algo de pior de fato acontecesse?”

 

É importante se lembrar que a ansiedade é simplesmente um fluxo de energia. Você pode observar essa energia passando por você, da mesma maneira como a energia obtida quando faz um exercício vigoroso ou dança. Ela não indica nenhum resultado provável no mundo real; ela simplesmente se liga a um quadro que você construiu em sua mente.

 

 

Velha regra 3: Controle a situação

Nova regra 3: Abandone a necessidade de controlar

 

Como acontece com muitas pessoas ansiosas, você está sempre buscando alguma maneira de assumir o controle, porque tem medo de que as coisas saiam do controle.  O que de fato acontecerá é que você se sentirá ansioso por causa de sua ansiedade. Lembre-se: você não morre de obsessões, pânico, preocupação ou medo.

 

Tentar controlar a si mesmo é, algo que não funciona, é como ir atrás de sua própria mente. Você sempre perde. Você tenta lutar contra seus pensamentos, sensações, emoções e dores. É como tentar escapar de você mesmo. Seus jogos mentais lhe dizem para assumir o controle, mas essa, hoje, será uma mensagem errada. Não há perigo, é um alarme falso causado por sua ansiedade.

 

A nova regra é “livre-se da necessidade de controlar”. Ao usar essa regra, você aprenderá que os seus pensamentos, sensações e emoções ansiosas diminuirão por conta própria. Você aprenderá que não há nada a temer e descobrirá que pode descansar, relaxar, observar e tomar distância desse alarme. Abandonar a necessidade de controlar o ensinará a se sentir seguro.

 

Velha Regra 4: Evite sua ansiedade ou escape dela

Nova regra 4: Aceite sua ansiedade

 

Sua velha regra dizia para evitar qualquer coisa que o deixasse ansioso. Não conhecer novas pessoas; não ir a locais públicos, evitar germes, aviões, animais, festas. A lista era extensa. Mas pense comigo, obedecer a essa regra diminuiu a sua ansiedade e nem melhorou sua qualidade de vida? A resposta provavelmente é não. O que isso fez foi mantê-lo recluso, reforçando sua crença de que não consegue lidar com tais situações. A nova regra diz que você não só pode aprender a lidar com elas, mas que você deve.

 

O primeiro passo essencial é que você esteja desejando ampliar seus limites para testar sua zona de desconforto. Acima de tudo, você terá de aprender a fazer as coisas mesmo quando elas provoquem ansiedade, ou seja, ter medo de fazer alguma coisa e, ainda assim, fazê-la. É a única maneira de ensinar a você que pode fazê-la. A fim de seu cérebro emocional aprender como lidar com situações de ansiedade, ele terá de praticar ser ansioso e sobreviver a isso.

 

Espere a sua ansiedade passar, observe‐a aumentar e depois diminuir, aguente a situação até o ponto de se sentir entediado. Para todos os problemas de ansiedade que serão discutidos durante seu tratamento, quanto mais você exercer práticas que causem ansiedade, menos ansioso ficará. Às vezes, o desconforto é um amigo. Ele lhe informa que você está progredindo. Lembre-se: quebrar regras fará você avançar ainda mais em seu tratamento.

Dr Antonio Viola

Dr Antonio Viola

Médico psiquiatra e psicanalista, graduado em Medicina pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), residência médica em Psiquiatria no Hospital do Servidor estadual de São Paulo (IAMSPE) e formado em Psicanálise para Psicoterapeutas pelo Centro de Estudos Paulista.

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