O PAPEL DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO DO PACIENTE COM TRANSTORNO MENTAL

 Desde os primórdios, o ser humano é cobrado e influenciado pelo meio social em que vive. Esse meio é que determina como a pessoa deve pensar, agir e se comportar. Ao fugir das convenções sociais, o indivíduo geralmente é “punido” por essa mesma sociedade e até por ele mesmo.

Desta forma, muitas vezes a pessoa é submetida a um alto nível de estresse que o leva do estado “normal” para a “loucura”.
Levando em consideração a importância do meio para a formação do indivíduo, é válido refletir sobre o papel da família durante o tratamento terapêutico e/ou psiquiátrico. A família é um suporte quando se trata dos cuidados básicos e essenciais ao paciente.


Como a família pode ajudar?
Em alguns casos, ao se deparar com um indivíduo doente, a família pode realizar um processo de exclusão para com o mesmo. Isso ocorre muitas vezes por medo, desconhecimento, desinformação e pelo estereótipo errôneo de que, quando doente, a pessoa se torna alguém sem capacidade para conviver socialmente.
Geralmente as famílias são expostas a uma grande carga psicológica, porém é essencial todo e qualquer tipo de apoio nestes casos. O envolvimento da família é de suma importância para o processo de tratamento vivenciado pelo paciente.


Na família quais os fatores que provocam recaídas?  É importante a família conhecer sobre a doença?
Apesar da importância dos familiares, é necessário que a família saiba como lidar com as situações durante o processo do tratamento. É aconselhável evitar comentários críticos ao paciente ou ser exageradamente superprotetores, esses dois fatores podem provocar recaídas no paciente. É importante também dosar o grau de exigências em relação a quem está se tratando, porém sem deixá-lo abandonado e sem participação na vida familiar.
Outro ponto importante é o conhecimento da família sobre a doença do paciente. Com um diagnóstico claro, a família passar a ser uma aliada em conjunto com a terapia, com o acompanhamento médico e com as medicações. Esse trabalho em equipe pode colaborar para a melhora do paciente.
Estabelecer confiança e vínculo entre a família e os profissionais pode ajudar na aceitação do tratamento pelo indivíduo, o que aumenta as chances de efetivação do mesmo e, consequentemente, a melhora. Percebe-se que a recuperação de uma pessoa com transtorno mental é um processo que pode ser longo, gradual e lento, no entanto, ao combinar várias abordagens, os resultados tornam-se assertivos e, em muitos casos, satisfatórios.


Como ajudar a família a tomar os devidos cuidados?
Durante o tempo de tratamento do paciente, a família também deve receber total orientação sobre sua abordagem e sua dinâmica de relacionamento durante o processo de acompanhamento psiquiátrico, visto que, em muitos casos, a família adoece em conjunto, sendo necessário um processo de escuta, apoio e orientação. 
É importante que a família sinta que pode fazer algo para ajudar o seu familiar a recuperar-se e mesmo quando não, que seja capaz de compreender a situação e acompanhar o paciente com apoio e compreensão.

Dr Antonio Viola

Dr Antonio Viola

Médico psiquiatra e psicanalista, graduado em Medicina pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), residência médica em Psiquiatria no Hospital do Servidor estadual de São Paulo (IAMSPE) e formado em Psicanálise para Psicoterapeutas pelo Centro de Estudos Paulista.

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