Psiquiatria Geriátrica: Os Transtornos Mentais Mais Comuns em Idosos

O envelhecimento é um período natural do ciclo vital que acarreta algumas mudanças físicas, mentais e psicológicas. Algumas dessas alterações são espontâneas e não caracterizam necessariamente uma doença. Por outro lado, há alguns transtornos que costumam ser mais comuns em idosos. Entre eles, estão os transtornos depressivos, transtornos cognitivos e fobias. Além disso, alguns idosos podem apresentar risco de suicídio e risco de desenvolver sintomas psiquiátricos induzidos por medicamentos.

No entanto, muito transtornos mentais em idosos podem ser evitados, aliviados ou mesmo revertidos. Consequentemente, um diagnóstico completo e cuidadoso se faz necessário para o esclarecimento do quadro apresentado pelo idoso.

 

Listamos abaixo alguns dos transtorno mais comuns na vida idosa que devemos prestar atenção. Confira!

 

 

Demência

 

A demência é considerada um comprometimento cognitivo que costuma ser progressivo e reversível ou em alguns casos irreversível. As funções mentais anteriormente adquiridas são gradualmente perdidas. Com o aumento da idade, a demência torna-se mais comum. Segundo estudos, a demência afeta 5 a 15% das pessoas com mais de 65 anos e aumenta para 20% nas pessoas com mais de 80 anos.

 

Os sintomas incluem alterações na memória, na linguagem, na capacidade de orientar-se. Há perturbações comportamentais como agitação, inquietação, andar a esmo, raiva, violência, gritos, desinibição sexual e social, impulsividade, alterações do sono, pensamento ilógico e alucinações.

 

As causas de demência incluem lesões e tumores cerebrais, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), álcool, hipotireoidismo, deficiência de vitama B12, medicamentos, infecções, doenças pulmonares crônicas e doenças inflamatórias. Muitas vezes, as demências são causadas por doenças degenerativas primárias do sistema nervoso central e por doença vascular. As demências são classificadas em vários tipos de acordo com o quadro clínico, entretanto as mais comuns são demência tipo Alzheimer e demência vascular.

 

Demência tipo Alzheimer

 

De todos os pacientes com demência, 50 a 60% têm demência tipo Alzheimer, que costuma ser a variação mais comum. Geralmente é mais freqüente em pessoas do sexo feminino do que em homens e é caracterizada por um início gradual e pelo declínio progressivo das funções cognitivas. A memória é a função cognitiva mais afetada, mas a linguagem e noção de orientação do indivíduo também são afetadas.

 

As alterações do comportamento envolvem depressão, obsessão e desconfianças, surtos de raiva com risco de atos violentos. A desorientação leva a pessoa a andar sem rumo, podendo se perder em caminhos costumeiros em um estado de confusão profunda. Aparecem também alterações neurológicas como problemas, na fala e no desempenho de funções motoras, por exemplo.

 

O tratamento é paliativo e as medicações podem ser úteis para o manejo da agitação e das perturbações comportamentais. Infelizmente, ainda não há prevenção ou cura conhecidas.

 

Demência vascular

 

Esse é o segundo tipo mais comum de demência. Apresenta as mesmas características do Alzheimer, mas geralmente se desenvolve com um início abrupto e um curso gradualmente deteriorante. Pode ser prevenida através da redução de fatores de risco como hipertensão, diabete, tabagismo e arritmias. O diagnóstico pode ser confirmado por técnicas de imagem cerebral e fluxo sangüíneo cerebral.

 

 

Transtornos depressivos

 

A depressão que inicia nessa faixa etária é caracterizada por vários episódios repetidos e os sintomas incluem redução da energia e concentração, problemas com o sono especialmente despertar precoce pela manhã e múltiplos despertares, diminuição do apetite, perda de peso e queixas somáticas (como dores pelo corpo). Um aspecto importante no quadro de pessoas idosas é a ênfase aumentada sobre as queixas somáticas.

 

Pode haver dificuldades de memória em idosos deprimidos que é chamado de síndrome demencial da depressão que pode ser confundida com a verdadeira demência. Além disso, a depressão pode estar associada com uma doença física e com uso de medicamentos.

 

Transtorno bipolar (transtornos do humor)

 

Os sintomas em idosos são semelhantes àqueles de adultos mais jovens e incluem euforia, humor expansivo e irritável, necessidade de sono diminuída, fácil distração, impulsividade e, freqüentemente, consumo excessivo de álcool. Pode haver um comportamento hostil e desconfiado. Quando um primeiro episódio deste comportamento ocorre após os 65 anos, deve-se alertar para uma causa orgânica associada. O tratamento deve ser feito com medicação cuidadosamente controlada pelo médico psiquiatra.

 

 

Transtornos de ansiedade

 

Os transtornos de ansiedade começam no início ou no período intermediário da idade adulta, mas alguns aparecem pela primeira vez após os 60 anos.

 

Em idosos, a fragilidade do sistema nervoso autônomo pode explicar o desenvolvimento de ansiedade após um estressor importante. O transtorno de estresse pós-traumático freqüentemente é mais severo nos idosos que em indivíduos mais jovens em vista da debilidade física concomitante nos idosos.

 

As obsessões e compulsões podem aparecer pela primeira vez em idosos, embora geralmente seja possível encontrar esses sintomas em pessoas que eram mais organizadas, perfeccionistas, pontuais e parcimoniosas.

 

 

Esses são alguns dos transtornos que envolvem a psiquiatria geriátrica e os sintomas listados devem ser de grande atenção ao idoso ou aos familiares. A ajuda de um psiquiatra é sempre bem-vinda e pode ser primordial para tratamentos para prevenir ou controlar os transtornos.

Dr Antonio Viola

Dr Antonio Viola

Médico psiquiatra e psicanalista, graduado em Medicina pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), residência médica em Psiquiatria no Hospital do Servidor estadual de São Paulo (IAMSPE) e formado em Psicanálise para Psicoterapeutas pelo Centro de Estudos Paulista.

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