/ Depressão

VAMOS FALAR SOBRE SAÚDE MENTAL?

Desde a infância, estamos acostumados a realizar exames obrigatórios, tomar vacinas, ter um acompanhamento médico e outras medidas medidas preventivas para assegurar nossa saúde. Mas, geralmente, essa saúde se restringe ao físico e evita nossos aspectos emocionais, relacionamos a nossa saúde mental.

Um exemplo disso, na infância, é quando uma criança é ensinada a lavar as mãos antes das refeições, mas não é encorajado a falar o por quê do desentendimento que teve com um colega da escola.


Depressão e ansiedade vêm se tornando cada vez mais comuns, independente de regiões ou classes sociais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas que sofrem dessas doenças aumentou de 416 milhões para 615 milhões entre 1990 e 2013. Com previsão de ser a doença mais incapacitante até 2020. Mas é válido esclarecer que saúde mental não se restringe apenas a transtornos ou doenças mentais. Ela diz respeito ao modo que os indivíduos se posicionam diante do mundo e das situações, diz respeito às relações sociais e aos sentimentos.


A saúde mental permanece estigmatizada no Brasil e no mundo: nos casos em que há transtornos, a tendência é esconder ou ignorar o problema, inclusive dentro da família. Neste silêncio, casos se agravam e pessoas deixam de buscar ajuda.
Especificamente no Brasil, vive-se a aplicação da lei que determinou o fim dos manicômios e um novo desafio pela frente: é preciso que municípios, estados e governo federal deem vida à legislação e desenvolvam estruturas de atendimento, invistam em centros de acompanhamento multidisciplinar e capacitem profissionais para acolher e atender os pacientes que não mais podem ficar internados em instituições.


A saúde mental não é ausência nem de sofrimentos nem de conflitos. Eles fazem parte da vida humana, do aparelho psíquico. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, ter uma boa saúde mental é essencial para que as pessoas sejam saudáveis e consigam enfrentar as adversidades da vida de forma estável e equilibrada, ultrapassando os obstáculos que nos são apresentados a todo momento, nos diversos contextos que permeiam o nosso cotidiano: nos relacionamentos pessoais e familiares, conjugais ou não; no ambiente de trabalho, não só em relação aos colegas, mas às realizações profissionais; nos aspectos sociais como um todo, influenciando a nossa forma de ver o mundo e de lidar com o próximo.


A saúde mental é de extrema importância nos momentos em que nos encontramos fragilizados por algo que estejamos vivendo em determinados momentos de nossas vidas. Passar por dificuldades e momentos difíceis pode acontecer com qualquer um de nós e, para que possamos suportar isso, é necessário que estejamos atentos à nossa saúde mental, coisa que normalmente temos dificuldade em fazer por considerar isso uma demonstração de fraqueza, estigmatizada pela sociedade.

Dr Antonio Viola

Dr Antonio Viola

Médico psiquiatra e psicanalista, graduado em Medicina pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), residência médica em Psiquiatria no Hospital do Servidor estadual de São Paulo (IAMSPE) e formado em Psicanálise para Psicoterapeutas pelo Centro de Estudos Paulista.

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